Nos primeiros minutos, da primeira aula, do primeiro curso de fotografia que participei, foi-me perguntado o que eu mais gostava de fotografar. Muito bem… resposta fácil e direta: Natureza!

O professor olhou-me na diagonal, talvez desapontado, talvez conformado com esse tipo de resposta.

Antes de mais nada, quero dizer que não há nada de errado em fotografar Natureza, muito pelo contrário, é um exercício de integração com o mundo, uma forma de documentar e enaltecer o que ganhamos de presente e que nos rodeia, bem como escancarar o frágil equilíbrio que perpetua a dança da vida. Eu adoro Natureza e muito do que faço ainda são flores, insetos, animais…

Mas, de volta àquele primeiro dia, após ouvir respostas semelhantes de diversos alunos, o professor pergunta:

– E quem gosta de fotografar pessoas?

Alguns poucos manifestaram interesse, mas declararam-se temerosos.

É verdade… o ser humano é complexo. Fazer uma foto dele é complexo, surge o receio, o medo da rejeição, a insegurança técnica… Pois é, se vencermos todos esses obstáculos corremos o risco de estabelecer uma ligação com este ser humano. Conheceremos seus desejos, seus medos, suas alegrias e tristezas, seus sucessos e fracassos e, se assim for, materializar-se-á o RETRATO.

Retrato, vem do Italiano RITRATTO, particípio passado de RITRARRE, “reproduzir uma imagem”, que por sua vez vem do Latim RETRAHERE, “trazer de volta”. Fica claro que um RETRATO não é somente uma foto de um rosto, mas antes o resultado da interação entre o fotógrafo e a pessoa a sua frente. A imagem resultante dessa união, ainda que, por vezes efêmera e subliminar, trará de volta o ser humano a frente da lente e tudo aquilo que foi sentido pelo fotógrafo.

Pois então, isso é um retrato, esse é o trabalho de um retratista, conhecer pessoas, identificar emoções e vivências e colocá-las no papel.

Hoje é o que adoro fazer, o que mais estudo e acompanho. Hoje sei que retrato se faz com os olhos, com a mente e com o coração.

Abração a todos!

Adelson

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